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O Fafe acreditou até ao último apito, mas fica fora da fase de subida

  • 25 de jan.
  • 3 min de leitura

No Municipal de Fafe, o frio não foi só meteorológico, foi também esse frio de contas, de classificações paralelas, de rádios no ouvido e olhos a saltar entre o relvado e os outros resultados. E, ainda assim, houve futebol. Houve nervo. Houve um guarda-redes que saiu do banco para segurar uma tarde inteira. E houve um empate a dois que soube a tudo e a nada, ao mesmo tempo. Com esta igualdade e a precisar de vencer como de pão para a boca, dependendo mesmo de uma autêntica milagrosa combinação de resultados, o Fafe fica fora da luta pela subida de divisão e vai mesmo lutar para se manter na Liga 3, terminando esta fase regular na sétima posição.

A partida começou morna, quase a medo. O Fafe tinha a obrigação de ir atrás do jogo, mas sem se desorganizar; o Braga B parecia confortável a controlar ritmos, a escolher momentos, a não se expor. O primeiro quarto de hora trouxe mais intenção do que perigo, com o Fafe a tentar empurrar o jogo para a frente e o Braga a aparecer em espaços, sobretudo pelo lado esquerdo com Rodrigo Silva. Só que o futebol, nestes dias, raramente se abre por inspiração. Abre-se por detalhe. E o detalhe apareceu onde tantas vezes aparece em Fafe: na bola parada.

O Fafe foi crescendo, encostou o Braga B mais atrás, começou a ganhar cantos, a ganhar duelos, a ganhar metros. Aos 29 minutos, num canto à direita e após defesa incompleta de João Carvalho, Leandro Teixeira fez o que se pede a quem acredita: atacou o ressalto e, de calcanhar, escreveu o 1-0. Um golo com perfume de rua e de instinto, daqueles que mudam o humor de uma bancada inteira num segundo.

Até ao intervalo, o jogo manteve-se contido. O Braga tentou reagir mais perto do fim da primeira parte, sobretudo em livres laterais, mas sem criar verdadeiro pânico. O Fafe, com vantagem, parecia mais senhor do cenário do que da bola. E isso, em jogos com esta carga, costuma ser perigoso.

A segunda parte confirmou o aviso. André Pinto mexeu logo, lançou juventude com rodagem de Primeira Liga e, de repente, o Braga B entrou com outra velocidade. O empate surgiu cedo, aos 48: entendimento pela direita, remate de Yan Said com defesa incompleta de Tiago Martins, e João Vasconcelos a encostar para o 1-1. Um golo que não foi apenas empate: foi um abanão. O Fafe perdeu ligação entre sectores, sentiu dificuldades em chegar a João Carvalho e passou a jogar mais com o coração do que com a cabeça.

Com uma substituição forçada na baliza, João Gonçalo substituiu o lesionado Tiago Marins, no meio desta turbulência, o Fafe voltou a encontrar o seu caminho. Aos 62 minutos, num lance em que o Braga reclamou falta, o Fafe foi directo ao essencial: Vigário encontrou João Santos, a bola entrou em Vasco Braga, e a assistência saiu limpa para Diogo Castro. O lateral teve espaço e disparou forte, rasteiro, para o 2-1. Um golo de quem chega de trás com convicção, como se dissesse: “Ainda estamos aqui.”

A partir daí, a partida entrou numa zona onde o tempo deixa de ser cronómetro e passa a ser peso. O Braga B carregou, o Fafe defendeu como pôde, e o jogo transformou-se numa sucessão de cruzamentos, cortes, cantos e segundas bolas. João Gonçalo foi crescendo a cada intervenção, a cada saída, a cada momento em que parecia impossível segurar mais.

E o árbitro deu mais 10 minutos. Como se o jogo já não estivesse suficientemente cheio de dramatismo, ofereceu-lhe mais espaço para acontecer. Aconteceu.

Aos 90+4, falta à entrada da área, livre perigoso. Bola bem puxada ao poste, defesa incompleta de João Gonçalo, o único “erro” num recital, e Fodé Pascoal apareceu onde os avançados vivem: na recarga, para o 2-2. O Braga B festejou como quem evita um castigo, o Fafe respirou como quem tenta não cair.

Mas ainda faltava o capítulo final. O Braga teve o 3-2 nos pés, mais do que uma vez. Yan Said ficou na cara do golo e não conseguiu bater João Gonçalo. Depois António Gil teve o momento decisivo, e João Gonçalo voltou a erguer-se. Houve cantos consecutivos, bolas no primeiro poste, amortecimentos que viravam novo canto, e uma sensação de que o jogo só acabava quando o guarda-redes do Fafe dissesse “chega”. E, quando o árbitro apitou, o que ficou foi isso: não foi o empate, foi o homem que o segurou.

No fim, o 2-2 conta a história de um jogo com duas almas: a do Fafe, que encontrou vantagem duas vezes e acreditou, e a do Braga B, que nunca aceitou perder. Mas, se esta tarde tiver um rosto, é o de João Gonçalo, entrou por obrigação, ficou por mérito, e saiu como figura de um jogo em que o frio não venceu. O futebol, esse, aqueceu-se nos descontos.


Fotografia: AD Fafe
Fotografia: AD Fafe

 
 
 

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