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Julgamento do homicídio em Arões: arguido quer provar alegada dívida antiga ao pai da vítima

  • 14min
  • 2 min de leitura

Começou esta semana, no Tribunal de Guimarães, o julgamento de Joaquim Carneiro, de 71 anos, acusado de ter matado Pedro Oliveira, de 35 anos, num café na freguesia de Arões, em fevereiro do ano passado.

Na primeira sessão do julgamento, o arguido optou por permanecer em silêncio. Ainda assim, pretende demonstrar em tribunal que o pai da vítima lhe deveria cerca de 200 contos (aproximadamente mil euros), relativos a trabalhos realizados há cerca de três décadas e que, segundo a sua versão, nunca terão sido pagos.

De acordo com a acusação do Ministério Público, terá sido precisamente essa alegada dívida que originou a discussão que acabou de forma trágica.

Ouvido em tribunal na qualidade de assistente, o pai da vítima rejeitou de forma categórica qualquer dívida. Manuel Oliveira afirmou que todos os trabalhos realizados por Joaquim Carneiro foram pagos e garantiu nunca ter sido confrontado com qualquer pedido de pagamento.

Durante o seu depoimento, visivelmente emocionado, recordou ainda que deixou de trabalhar com o arguido por considerar que este tinha um comportamento agressivo e conflituoso. Em lágrimas, descreveu ao coletivo de juízes a dificuldade que a família tem enfrentado desde a morte do filho.

Segundo a acusação, o crime ocorreu a 9 de fevereiro de 2025, no café Pérola Central, em Arões. Durante uma discussão, Joaquim Carneiro terá chamado “caloteiro” ao pai da vítima, o que levou Pedro Oliveira a pedir que não utilizasse essa expressão.

Nesse momento, o arguido terá retirado do bolso uma pistola calibre 6,35 milímetros e disparado a curta distância, atingindo Pedro Oliveira no peito. Após o crime, fugiu do local e entregou-se às autoridades no dia seguinte.

Joaquim Carneiro encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Braga desde a data dos factos.

Durante a audiência, várias testemunhas que estavam no café no momento do crime apresentaram relatos diferentes sobre o sucedido. Perante as divergências, a presidente do coletivo de juízes chegou mesmo a manifestar surpresa com as versões apresentadas, sublinhando a dificuldade em compreender como surgem testemunhos tão distintos sobre um episódio ocorrido num espaço pequeno e num curto espaço de tempo.


Joaquim Carneiro, em fevereiro de 2025, junto ao hospital de Fafe onde foi detido. (Imagem: FafeTV / Arquivo)
Joaquim Carneiro, em fevereiro de 2025, junto ao hospital de Fafe onde foi detido. (Imagem: FafeTV / Arquivo)

 
 
 

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